P3, 4 anos

4 anos do P3 e o que mudou (ou não) nos últimos 2

By in Marketing, Music, Politics, Quotidian, Technology, World on September 21, 2015

Faz agora 2 anos que, após aceitar um desafio da Equipa P3 (obrigado, Amílcar e Andréia), me aventurei a adivinhar o que seria o dia de hoje, 22 de Setembro de 2015, data do 4º aniverário do P3.

Passados esses 710 dias e dados os parabéns a todos os que fazem do P3 esta publicação única, aqui vai um update do state-of-the-art, com o mea culpa pelos “tiros ao lado”.

É verdade, embora tenha acertado que o iOS9 já estaria em uso, é facto que o iPhone 7 ainda não chegou e não deve chegar até ao Outono de 2016. Quanto ao concorrente da Samsung, acertei e estamos mesmo no hype do Samsung S6 e da sua variante Edge de ecrã curvo nas extremidades, lançado a 13 de Agosto.

O que também é verdade é que o P3 já está disponível em “app” para iPhone, sem que o site tenha tido upgrade visual. Eu também não escrevi 141 crónicas, faltam-me aí umas 100.

Mas, então, vamos lá avaliar as previsões, ponto por ponto:

  • Estagnação da tecnologia doméstica de uso pessoal (parte 1): de facto, embora tenham havido significativas evoluções em termos de tecnologia, a maior evolução que sentimos foi nos tablets, que cada vez têm especificações mais próximas de um laptop, com os SSD a proliferarem e as memórias flash a ficarem cada vez mais perto do “terabye”; acho mesmo que o Surface cumpriu a promessa de ser o primeiro ‘full-specs PC‘ num formato de tablet.
    NOTA: 100% correcto.
  • Ensino de Inglês obrigatório no 1º ciclo: felizmente, no final de 2014, o Decreto Lei n.º 176/2014 reintroduziu, com carácter obrigatório, o ensino do inglês nos 3º e 4º anos de escolaridade, com entrada em vigor para os anos lectivos de 2015/16 para o 3º ano e 2016/17 para o 4º ano; nada mau, falta fazer o mesmo para o 1º e 2º anos.
    NOTA: 75% correcto (para quando o 1º e 2º anos?).
  • Laranja e rosa como cores do Governo: à beira de eleições legislativas, vemos alguns movimentos independentes a crescer (especialmente na esquerda), mas não há dúvida de que o futuro primeiro-ministro será ou Pedro Passos Coelho (PSD) ou António Costa (PS).
    NOTA: 100% correcto (também não era difícil adivinhar esta!).
  • Música e arte com mainstream em queda: felizmente, a democratização do acesso a conteúdos tem feito aparecer (com visibilidade à escala do mainstream) artistas de grande qualidade que não entraram nas nossas casas por via das “máquinas de marketing” das grandes produtoras e distribuidoras, apesar dos esforços de quem quer manter esse status-quo – Jay-Z, Kanye West, Beyoncé, entre outros, com o lançamento do Tidal, agora concorrente nº 1 do Spotify —, mas que não escondem a aparição de nomes com Gary Clark Jr., Future Islands, Chet Faker, Angel Olsen, Echosmith, Curtis Harding, Sam Smith, Gregory Porter, entre tantos outros (artistas e estilos!) que nos captaram a atenção mas que, certamente, não seriam “cabeças de cartaz” em festivais de Verão ou capazes de encher um Pavilhão Atlântico… Melhor assim, podemo-los ver (por agora) em ambientes mais intimistas, se bem que a procura para o concerto de Chet Faker “obrigou” a promotora do espectáculo a lançar uma segunda data, dada a rapidez com que esgotaram os bilhetes para o concerto de 3 deJulho.
    NOTA: 75% correcto (podia ser melhor!).
  • Estagnação da tecnologia doméstica de uso pessoal (parte 2): a “Internet of Things“, ou IoT, não entrou pelas nossas casas nem começámos a ter colegas a virem para o trabalho com os seus Google Glass. É verdade que cada vez há mais conteúdos imersivos (3D, realidade virtual, realidade aumentada), mas ainda estamos numa fase em que isso acontece em ambientes muito restritos, de carácter lúdico (jogos, principalmente) ou profissional (empresas de vanguarda). Temos vindo a notar, sim, que há ramos da Medicina que têm lucrado muito com a evolução tecnológica que continua a acontecer — desde um externo em titânio impresso em 3D a um sem número de descobertas e evoluções que provam que o futuro está aqui: transplante de coração a partir de um cadáver, vacina contra o sarampo que coloca células cancerígenas em total remissão, implante de olho biónico em doente com cegueira total, etc. O futuro próximo (leia-se “2015 e 2016″) reserva-nos algumas inovações que parecem mesmo de ficção científica, como o recurso a nanobots (robots de tamanho microscópico) que funcionarão como glóbulos brancos, transplantes de cabeça com transferência de memória, transferência mitocôndrica de ADN (eliminação de doenças hereditárias, principalmente ao nível cardíaco e hepático), entre outras.
    NOTA: 75% correcto (infelizmente, há muita desta tecnologia que apareceu e cresceu por necessidade – e orçamento – de carácter bélico!).
  • A estagnação do Protocolo de Quioto e não-ratificação pelos EUA: numa frase, não há novidades no que diz respeito à participação dos EUA, nem mesmo do resto do planeta no que diz respeito à Emenda de Doha (apenas 43 ratificações entre os 144 países participantes — sendo que os EUA e o Canadá nem sequer são signatários), ficando claro que as emissões de CO2 não vão ser uma preocupação dos países mais poluidores do planeta. Nesse contexto, os EUA, a China e a Índia já tornaram claro que não ratificarão qualquer tratado que os comprometa a reduzir essas emissões; uma boa notícia é que está mesmo a evoluir uma iniciativa concertada de limpeza dos oceanos, com a fantástica ideia de Boyan Slat a ser posta em acção.
    NOTA: 100% correcto.
  • A reinvenção do P3 não aconteceu: mas, também, para quê? Em equipa que ganha, não se mexe.

Olhando para trás, se calhar fui um pouco benévolo nesta auto-avaliação, mas o que fica claro é que o mundo não anda assim tão mais depressa do que no tempo dos nossos pais, porque o envolvimento das populações, seja numa participação activa ou numa adesão mais passiva, é mesmo o factor decisivo e é um facto que somos lentos a aceitar e a adoptar a mudança.

Venham mais 711 dias de P3 (para o ano, temos 366 dias, não há erros de contas!) e não apenas esperar que as coisas melhorem, fazer por fazer algo mais, lembrando que todos somos tripulantes (e não meros passageiros) desta nave enorme chamada Terra (tradução do inglês: “Mothership Earth does not carry passengers. We are all part of the crew.“).

 

Publicação original: P3.

Hugo Salvado @ P3

Hugo Salvado @ P3

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